terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

História do carnaval no Brasil


O carnaval brasileiro adquire características distintas em cada região. A manifestação carnavalesca mais antiga do Brasil é o entrudo (palavra de origem latina que significa “entrada”). Foi introduzido no Brasil pelos portugueses, no período colonial. Não há registros de quando o entrudo possa ter começado realmente no Brasil.
Foi introduzido no Brasil em 1723 pelos portugueses, das ilhas da Madeira dos Açores e do Cabo Verde. Há, porém, registros de avisos e alvarás de proibições já no ano de 1604.

Esse festim originário da Índia consistia em uma brincadeira de sujar as pessoas que passavam desprevenidas com água suja, vinagre, vinho, pós, tintas, cal, ovos, limões e até excrementos, jogados do alto das casas ou nas praças. Também os farristas brincavam agarrando as pessoas, tirando-lhes as roupas, dando-lhes banho frio. Assim eram os festejos inicialmente na Bahia e no Rio de Janeiro, até o século XIX.
 
Modificações

Na segunda metade do século XIX, o entrudo começa a ser substituído por outras manifestações: bailes em clubes e desfiles nas ruas com as fantasias inspiradas em modelos europeus e as alegorias importadas da Itália. O carnaval começou a sofrer modificações que o conduziram às formas atuais.

Em 1840 aconteceu o 1º Baile de Máscaras, igual aos que aconteciam na Europa. A festa foi promovida pela mulher de um hoteleiro e a novidade logo despertou o interesse das pessoas. E em 1846 surgiu uma sociedade com a finalidade de promover bailes no mesmo lugar: O Hotel de Itália. A entidade tinha o nome de Constante Polca, a dança da moda. Começa aí a tradição dos grandes bailes.
 
ZÉ PEREIRA – um folião que virou história

Essa folia surge em 1855, numa 2ª Feira de carnaval, pelo sapateiro português, José Nogueira de Azevedo Parede, que saiu pelas ruas, fantasiado e acompanhado pelos amigos, brincando, pulando e dançando ao som de zabumbas e tambores para animar as folias de carnaval. Seus companheiros de folguedo, por engano, passaram a chamá-lo de Zé Pereira, logo, seu gesto virou sinônimo de carnaval.
 Em 1896 ele era exaltado com uma música cantada até nossos dias:
 “Viva o Zé Pereira
pois que a ninguém faz mal
 viva a bebedeira
 nos dias de carnaval.”

SOCIEDADES CARNAVALESCAS

Surge em 1855 a primeira grande sociedade, O Congresso das Sumidades Carnavalescas, formado por um grupo de 80 pessoas, entre estas: os escritores José de Alencar e Manoel Antonio de Almeida.   
Esta sociedade organizou o primeiro desfile de carnaval, chamado de Passeata. O desfile foi aberto por uma banda vestida com uniforme dos Cossacos da Ucrânia e assistido por grande público, inclusive pela Corte Imperial. A passeata tinha clarins escoceses, carruagens, vários personagens históricos e de ficção.

Em 1861 após um incêndio no domingo de carnaval, os participantes do Congresso das Sumidades Carnavalescas ganham o nome de Tenentes do Diabo e só trocam de nome oficialmente em 1904, quando passam a se chamar Zuavos Carnavalescos.

Blocos e cordões

Os cordões e os blocos antecederam as escolas de samba.

Os cordões (blocos) são uma antiga tradição brasileira de carnaval. No início do século 20, os cordões eram formados somente por pessoas fantasiadas e eram conduzidos por um mestre, que comandava a folia. Hoje em dia, os grupos são menos organizados, mas a tradição se mantém. Deles surgiram os ranchos.
O primeiro cordão que foi o  Flor de São Lourenço e surgiu em 1885, segundo Marisa Lyra.  Outros cordões renomados são: Rosa de Ouro, cordão do Bola Preta (desde 1918), Cacique de Ramos e o Bafo da Onça (desde 1956).

Sucederam aos modestos cordões, os saudosos ranchos que deram origem as escolas de samba.

A primeira música feita para o carnaval

 Em 1898 Chiquinha Gonzaga (pseudônimo de Francisca Edwiges) compõe O Abre-Alas, para o cordão Rosa de Ouro.  A música foi cantada em 1899, levando o cordão à vitória.

 Corso

O Corso surgiu por volta de 1900. Era uma passeata de automóveis enfeitados conduzindo os foliões que brincavam entre os participantes e pedestres. Os foliões contagiavam as pessoas com cantos, músicas, confetes, serpentinas e muita animação.  Começou a desaparecer por volta de 1930.        
 Em 1901 as passeatas Carnavalescas passam a se chamar Préstitos.

Ranchos carnavalescos

O rancho surgiu do crescimento dos cordões carnavalescos. Tinha blocos com fantasiados e muitas vezes tinham uma música específica para o carnaval, as marchas-rancho. “As pastorinhas” é uma das mais famosas marchas-rancho.  Dos ranchos surgiram as escolas de samba.
Alguns historiadores afirmam que eles nasceram na Bahia e logo se espalharam para o carnaval carioca e de outros estados.
Eram grupos de foliões acompanhados por violões, cavaquinhos, flautas e clarinetes. Percorriam as ruas da cidade dançando e cantando as músicas populares do carnaval e marchas compostas especialmente para o rancho. 
Os primeiros ranchos que surgiram foram: Dois de Ouro, Flor de Abacate e Ameno Resedá. Este último, existiu no Rio de janeiro de 1907 a 1941, intitulava-se “rancho-escola” e serviu de modelo para outros ranchos e escolas de samba fornecendo elementos como: abre-alas, enredo, alegoria, mestre-sala e porta-bandeira. 
E em 1933 criou-se a Associação dos Ranchos Carnavalescos.

Escola de samba    

Em 1929 surgiu a primeira Escola de Samba, chamada Deixa Falar, fundada por Ismael Silva.
 O primeiro desfile, ainda extra oficial, ocorreu em 1932; o primeiro desfile oficial data de 1935 e ocorreu na Praça Onze de Junho, ponto tradicional de concentração de blocos e cordões.
Neste ano  um decreto de Getúlio Vargas determinou que as escolas de samba dessem caráter didático (histórico e patriótico) aos sambas-enredos e as escolas passaram a usar enredos tirados da História do Brasil.

Maracatu

O maracatu nasceu nas ruas de Recife. Filho legitimo das procissões em louvor a Nossa Senhora do rosário dos Negros. É um cortejo simples que do sagrado passou para o profano, para o carnavalesco.  O maracatu é hoje, uma mistura de música primitiva e teatro. Os grupos cantam acompanhados pelo ritmo de chocalhos, tamborins e agogôs.

Frevo

O frevo é filho legitimo da capoeira. O passista sai no carnaval dançando o frevo frente dos cordões das bandas de música, executando passos semelhantes aos da capoeira. O frevo é  o ritmo e a dança do carnaval pernambucano, nos salões ou nas ruas, o povo se entrega ao frevo de corpo e alma. São mais de 200 passos.

Afoxé

Os afoxés do carnaval baiano são grupos de foliões carnavalescos formados por foliões negros que saem pelas ruas fantasiados e cantando canções geralmente em nagô.
O primeiro afoxé surgiu em 1895, denominado de Embaixada Africana.  O afoxé Filhos de Ghandi surgiu em 18 de fevereiro de 1949.

Trio elétrico

Surge o primeiro Trio Elétrico em Salvador, no ano de 1950 com a dupla Dodô e Osmar. A dupla saiu em cima de uma fobica tocando a viola elétrica que eles chamaram de “pau elétrico”. Daí em diante chegou-se ao que conhecemos hoje.

 ALGUMAS PERSONAGENS DO CARNAVAL

Desde os primeiros tempos, Pierrô, Arlequim e Colombina são personagens centrais do carnaval. Os trajes multicoloridos destas figuras deram origem às fantasias contemporâneas e são um dos ingredientes da alegria dessa festa popular. Conheça, a seguir, um pouco desses personagens.

Arlequim: personagem da antiga comédia italiana (commedia dell'arte) de traje multicolor, feito em geral de losangos, que tinha a função de divertir o público nos intervalos, com chistes e bufonadas. Foi posteriormente incorporado como um dos personagens nas peripécias das comédias, transformando-se numa de suas mais importantes personagens. Amante da Colombina. Farsante, truão, fanfarrão, brigão, amante, cínico.

Colombina: principal personagem feminina da commedia dell'arte, amante do Arlequim e companheira do Pierrô. Namoradeira, alegre, fútil, bela, esperta, sedutora e volúvel. Vestia-se de seda ou cetim branco, saia curta e usava um bonezinho.

Pierrô: Personagem também originário da commédia dell'arte, ingênuo e sentimental. Usava como indumentária calça e casaco muito amplos, ornada com pompons e de grande gola franzida.

Rei Momo:     Momo é uma figura mitológica. Em sua representação simbólica aparece com uma das mãos levando uma máscara e com outra segurando o cetro e no cetro existe uma cabeça grotesca simbolizando a loucura. Momo é também uma antiga farsa satírica que ridicularizava os costumes da época.

O Momo do carnaval

 Em 1933 os jornalistas criaram no Rio de Janeiro a figura do rei Momo, para coroar os três dias de folia.
Inicialmente o Momo foi representado por um boneco de papelão colorido enfeitado com uma coroa de lata. No ano seguinte, foi escolhido um rei Momo de carne e osso (e muita gordura) que recebeu no sábado de carnaval as chaves da cidade do Rio.

Quanto à Rainha do Carnaval, esta aparece no cenário carnavalesco desde 1950, quando os foliões do Rio de Janeiro elegem a rainha do carnaval. Ela surgiu para fazer companhia ao Rei Momo durante a folia. O costume de eleger a rainha do carnaval se encontra disseminado em todo o Brasil.
                       
O carnaval fora de época

São festas nos moldes do carnaval que acontecem em várias cidades brasileiras durante o ano inteiro. Na Bahia é comemorado também na quinta-feira da terceira semana da Quaresma, mudando de nome para Micareta.
Esta festa deu origem a várias outras em estados do Nordeste, todas com característica baiana, com a presença indispensável dos Trios Elétricos e são realizadas no decorrer do ano.
Em Teresina é o Micarina; em Fortaleza, o Fortal; em Natal, o Carnatal; em João Pessoa, a Micaroa; em Campina Grande, a Micarande; em Maceió, o Carnaval Fest; em Caruaru, o Micaru; em Recife, o Recifolia, etc.
Em Floriano-PI, já tivemos em anos anteriores o Florifolia.
               
A cor como elemento e expressão do Carnaval


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