terça-feira, 13 de novembro de 2012

PROJETO DE PESQUISA



ESPECIALIZAÇÃO EM LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS – LIBRAS

ELIENE PEREIRA GUIMARÃES
MARIA UMBELINA MARÇAL GADELHA

Floriano, PI – 2012

1 TEMA
Avaliação da pessoa com surdez na escola regular

1.1 JUSTIFICATIVA
Com a asseguridade do direito de toda criança frequentar a escola comum, possuindo deficiência ou não, constata-se que apesar das mudanças ocorridas na última década a maioria das pessoas surdas continua enfrentando grandes dificuldades comunicativas na vida educacional e social. Este estudo visa, portanto, investigar as práticas pedagógicas e as abordagens educacionais usadas no processo de escolarização e avaliação do surdo apontando seus avanços e dificuldades.
Trabalhar com alunos surdos tem sido para nós um estímulo, uma preocupação e um desafio constante. Acompanhamos de perto as dificuldades que estes alunos apresentam no cotidiano escolar e, temos muitas vezes nos interrogado sobre a inclusão e a forma de avaliação desses alunos. Por isso o que motiva esta pesquisa é a necessidade de saber se estão sendo utilizadas inovações educacionais que contribuam com uma educação de qualidade para as pessoas com surdez, e, se, há uma busca por caminhos e estratégias que facilitem o seu desenvolvimento sócio-educacional.
             A história nos mostra as transformações ocorridas nas vidas das pessoas com deficiência, ao longo dos tempos, e provoca discussões em torno de mudanças na forma de se tratar tais pessoas, tendo em vista incluí-las, não apenas nos espaços escolares como também no mercado de trabalho e na sociedade como é de direito.  Reconhecemos como avanço importante a Educação Especial perpassar todos os níveis, etapas e demais modalidades de ensino sem substituí-los, oferecendo aos seus alunos serviços, recursos e estratégias de acessibilidade ao ambiente e aos conhecimentos escolares. Mas é necessário avançar ainda mais, principalmente no que tange a qualidade da educação oferecida a esses alunos.
Por isso propomo-nos investigar as práticas pedagógicas e as abordagens educacionais usadas no processo de escolarização do surdo apontando seus avanços e dificuldades, a partir de um estudo de caso, no qual serão coletadas informações junto a família, professores da sala regular, colegas e demais membros da comunidade escolar, passando para a análise e qualificação do problema que compromete o processo de aquisição de conhecimento pelas pessoas com surdez. Esperamos conhecer, analisar e discutir como acontece a inserção do aluno surdo na rede regular de ensino, focalizando a avaliação deste no município de Floriano-PI. Pretende-se saber se as estratégias de ensino e as tendências pedagógicas dos professores que possuem alunos dom deficiência auditiva em sua sala regular são adequadas à sua promoção.
Ao problematizar-se a avaliação na educação de surdos busca-se conhecer os princípios inscritos nos discursos dos professores que atuam com esses alunos. Será que as preparações que perpassam suas práticas e experiências cotidianas possibilitam-nos saber como esses sujeitos desconhecedores da Libras articulam seus saberes na avaliação com seus alunos?

1.2 PROBLEMATIZAÇÃO

Temos conhecimento de que a Lei assegura um ensino de qualidade para todos igualmente, porém na realidade escolar o que se nota  é que as práticas pedagógicas que vem sendo desenvolvidas, não têm contribuído para que as pessoas com deficiência auditiva alcancem resultados satisfatórios - de acordo com o sistema de avaliação empregado-, uma vez que as avaliações não se adéquam às especificidades de cada aluno.
Estamos partindo da hipótese de que o aluno com surdez desenvolveu em sua trajetória de vida de estudante suas estratégias de estudo. Há uma ênfase em se avaliar o aluno apenas quantitativamente, deixando-se de avaliá-lo qualitativamente e esquecendo-se muitas vezes de que avaliação é um processo continuo, pois não se considera ou interessa-se pela vida do estudante, seus desafios e estratégias de estudo e aprendizagem.
Este problema motiva a busca de resposta para as seguintes questões:
Como acontece a avaliação da pessoa com surdez? Quais são os critérios estabelecidos para a promoção do aluno surdo? Quais são as estratégias de avaliação utilizadas pelo professor?

1.3 OBJETIVOS
1.3.1 Geral
·         Identificar e analisar como acontece o processo de inclusão dos alunos surdos na sala regular de ensino do município de Floriano-PI.
1.3.2 Específicos
·         Reconhecer os princípios inscritos nos discursos dos professores que atuam com alunos surdos na sala regular de ensino.
·         Verificar como os professores desconhecedores da língua brasileira de sinais articulam seus saberes na avaliação de seus alunos.
·         Saber como acontece a promoção do aluno surdo.

2  FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Adotar novas práticas educativas é uma tarefa complexa, pois demanda mudanças na atualização e desenvolvimento de novos conceitos, exige redefinição e ampliação das ações pedagógicas educacionais que devem ser compatíveis com a inclusão.
             É nesse contexto de mudanças no ambiente escolar que muitos estudiosos têm pesquisado os avanços de alunos com surdez na escola regular, ressaltando a valorização das diferenças no convívio social e o reconhecimento do potencial de cada ser humano.
            Incluir uma pessoa com deficiência auditiva na sala de aula onde todos os outros alunos são ouvintes é desafiante, mas nas últimas décadas novas concepções de surdez passaram a ser construídas respaldadas nos avanços científicos e nos estudos linguísticos e socioantropológicos. Essas concepções reconhecem a surdez como uma limitação auditiva, porém valorizam as potencialidades dos surdos, expressas em construções artísticas, linguísticas e culturais. Nesse contexto, a experiência visual traz às pessoas surdas a possibilidade de construir sua subjetividade por meio de experiências cognitivas e linguísticas diversas, através da língua de sinais, seu principal meio de concretização.
            O histórico das pessoas surdas no Brasil tem sido de exclusão no ambiente escolar que prioriza a linguagem oral e escrita daqueles que frequentam as salas regulares.
Ser contrário à inclusão escolar de alunos com surdez é defender guetos normalizadores que, em nome das diferenças existentes entre pessoas com surdez e ouvintes se caracterizam, homogeneízam a educação escolar. As pessoas com surdez ou alguns profissionais que atuam na sua educação, em alguns momentos usam o discurso multicultural e defendem as identidades não fixadas, o pluralismo cultural mas enfatizam as relações de poder de um grupo majoritário de ouvintes sobre o grupo minoritário de pessoas com surdez. A escolaridade guetificada tem sido defendida, pautada em cultura, língua e  comunidade própria para as pessoas com surdez e que essa posição se baseia em teorias que estão camuflando a visão segrecionista em nome das diferenças. (DAMÁZIO, 2005.p. 12 )

             Apesar das políticas educacionais existentes em defesa da inclusão, há ainda muito a se discutir, muitos desafios a se enfrentar como a transformação nos processos curriculares pedagógicos nas atitudes e valores as escolas devem repensar seu processo excludente que privilegia uns em detrimento de outros, rompendo com os modos lineares do pensar e do agir no que se refere à escolarização.
             A Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (2008) vem ao encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais / instrucionais para promover a participação e a aprendizagem dos alunos com surdez na escola regular. Com essas mudanças o surdo passa a ser considerado como pessoa com potencialidades que a integram aos outros processos perceptuais, enquanto seres de consciência, pensamento e linguagem e não apenas reduzidas à condição sensorial.
Nesse contexto com o uso das duas línguas no ambiente escolar, aumentam as chances de o aluno surdo compreender o que está sendo ensinado, uma vez que a aquisição da língua de sinais vai permitir a pessoa com surdez manter relações sociais e uma melhor compreensão da língua oral por escrito. Embora de modalidades diferentes, estas línguas apresentam características comuns a todas as línguas.
      Botelho reflete:
Aprende-se por intermédio dela e sobre ela. Há, ainda, valorização intensa da atividade de narrar: os surdos contam e vêem outros contarem estórias reais e imaginárias, em língua de sinais, a partir ou não de textos  escritos. E aprendem a não conceber o aprendizado da língua escrita como ameaça à supressão da língua de sinais e, por conseguinte, à sua identidade. Aprendem a dar valor equivalente à língua escrita,oral e a língua de sinais. ( 2002. p.94 )

         Diante do que foi exposto, entendemos que as pessoas com surdez são seres capazes, produtivos e dotados de várias linguagens com potencialidades para adquirir e desenvolver não somente os processos viso-gestuais, mas também ler e escrever as línguas em seus entornos. E ainda, se desejarem, falar. Para isso necessitam ser estimulados nos aspectos cognitivos, culturais, sociais e linguísticos.
         De acordo com o Decreto 5.626, de 5 de dezembro de 2005, as pessoas com surdez têm o direito a uma educação que garanta sua formação, em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita, constituam línguas de instrução, e que seja garantido o acesso no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todos.
            A inclusão de pessoas com surdez na escola comum requer que se busquem meios para beneficiar a participação e aprendizagem tanto na sala de aula como no Atendimento Educacional Especializado. Conforme Dorzial (1998), o aperfeiçoamento da escola comum em favor de todos os alunos é primordial.
            A autora observa que os professores precisam conhecer e usar a Língua de Sinais, entretanto deve-se considerar que a simples adoção dessa língua não é suficiente para escolarizar o aluno com surdez. Assim a escola comum precisa implementar ações que tenham sentido para os alunos em geral; que esses sentidos possam ser compartilhados com os alunos com surdez. Mais do que a utilização de uma língua, os alunos com surdez precisa de ambientes educacionais estimuladores que desafiem seu pensamento, explorem suas capacidades, em todos os sentidos.
            Poker (2001), diz que é necessário       
Criar condições nas quais o aluno amplie o domínio ativo do discurso nas diversas situações comunicativas, sobretudo nas instâncias publicas de uso da linguagem, de modo a possibilitar sua inserção efetiva no mundo da escrita, ampliando suas possibilidades de participação social no exercício da cidadania. (POKER, 2001)

3 METODOLOGIA
O presente estudo pretende investigar as práticas pedagógicas bem como tendências educacionais utilizadas pelos professores na escolarização da pessoa a pesquisa será um estudo de caso de um aluno e desenvolver-se-á através da observação direta do aluno na sala de atendimento educacional especializado – AEE, de conversas, em caráter investigativo, com a mãe e a professora da sala de aula comum com a finalidade de obter o maior número de informações possíveis sobre a deficiência, convívio familiar e social, inclusão na sala de aula regular, como também detectar suas maiores dificuldades no processo educativo. A observação foi realizada em dois momentos: o primeiro momento será coletivo com outros surdos. O segundo momento será individual, onde o aluno realizará todas as atividades propostas pelo professor.
Sobre o ato de avaliar Lukesi (2004) comenta o seguinte:
O ato de avaliar a aprendizagem implica em acompanhamento e reorientação permanente da aprendizagem. Ela se realiza através de um ato rigoroso e diagnóstico e reorientação da aprendizagem tendo em vista a obtenção dos melhores resultados possíveis, frente aos objetivos que se tenha à frente. E, assim sendo, a avaliação exige um ritual de procedimentos, que inclui desde o estabelecimento de momentos no tempo, construção, aplicação e contestação dos resultados expressos nos instrumentos; devolução e reorientação das aprendizagens ainda não efetuadas. Para tanto, podemos nos servir de todos os instrumentos técnicos hoje disponíveis, contanto que a leitura e interpretação dos dados seja feita sob a ótica da avaliação, que é de diagnóstico e não de classificação.


O autor diz que o que diferencia ato de examinar e o ato de avaliar é o olhar que se tem sobre os dados obtidos: o exame classifica e seleciona, a avaliação diagnostica e inclui e diz que para um acompanhamento individualizado dos estudantes, teríamos que ter outras condições materiais de ensino no Brasil. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOTELHO, Paula. Língua e Letramento na educação dos surdos – ideologias e práticas pedagógicas. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2002.
BRASIL. MINISTÉRIO da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação. Política Nacional de Educação Especial. Brasília: MEC/SEESP, 1994.
DAMÁZIO, M. F. M. Concepções Subjacentes: Educação das Pessoas com Surdez, 2005.
DORZIAT, Ana. Democracia na escola: bases para igualdade de condições surdos - ouvintes. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. N° 9, p. 24-29, janeiro-junho, 1998.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Aprender a Fazer, publicada em IP – Impressão Pedagógica, publicação da Editora Gráfica Expoente, Curitiba, PR, nº 36, 2004.
POKER, Rosimar Bortolini. Troca simbólica e desenvolvimento cognitivo em crianças surdas: uma proposta de intervenção educacional. UNESP, 2001. 363p. Tese de Dourado.

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