domingo, 4 de março de 2012

Dadaísmo


Caixa de texto: NIILISMO s.m. 
Negação de qualquer crença. / Sistema que tinha partidários na Rússia do séc. XIX, e cujo objetivo era a destruição radical das estruturas sociais, sem visar a nenhum estado definitivo.
NIILISTA 
Relativo a nada, aniquilamento, descrença absoluta, na sociedade e nos valores éticos.
A combinação de pessimismo irônico, ingenuidade radical, ceticismo absoluto, improvisação enfatizando o ilógico e o absurdo do Dadaísmo foram as preliminares para o Surrealismo, a Arte Conceitual, a Pop Art e o Expressionismo Abstrato.




   
O vácuo criado pela guerra
  
Dada: “o mundo ficou gagá”
"A obra de arte não deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta". Tristan Tzara 
O contexto
Europa caótica, desestruturada pela guerra.
O dadaísmo foi mais um estado de espírito, oriundo das convulsões geradas pela I Guerra Mundial.
 

O que foi o Dadaísmo
Um movimento que negava todas as tradições sociais e artísticas tinha como base um anarquismo niilista e o slogan de Mikhail Bakunin (revolucionário russo): "a destruição também é criação".  
Sua principal estratégia era denunciar e escandalizar.
Contrários à burguesia e ao naturalismo, identificado como "a penetração psicológica dos motivos do burguês", buscavam a destruição da arte acadêmica e tinham grande admiração pela arte abstrata.
O Dadaísmo originou-se em 1915, em plena 1ª Guerra Mundial, em Zurique (cidade que  se conservou neutra com relação à guerra).
Surgiu posteriormente ao Cubismo e caracterizou-se pela negação dos valores tradicionais, pregando o fim da cultura, a destruição e ( reconstrução do mundo) - niilismo. 
Fundado por um grupo de refugiados da Guerra, o movimento Dadá tornou-se nome da palavra nonsense (absurdo), uma atitude internacional, que se expandiu de Zurique para a França, Alemanha e Estados Unidos.
O manifesto
Em um manifesto Dadá de 1918, Tzara especifica: “Dadá não significa nada”, (...) “Dadá é uma necessidade de independência, de desconfiança para a comunidade...”. Proclama a liberdade como elemento essencial para toda a atividade dadaísta e afirma que “Dadá é insignificância e abstração”.
Foi literatura que a ilogicidade e o espontaneísmo alcançaram sua expressão máxima. 
Tzara apregoou no último manifesto que o grande segredo da poesia é que "o pensamento se faz na boca". 
Em seguida procurou orientar melhor os seus seguidores dando uma receita para fazer um poema dadaísta:
Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E eis um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
Criadores do Dadaísmo
Formado por um grupo de escritores, poetas e artistas plásticos, dois deles desertores do serviço militar alemão, liderados por Tristan Tzara (Sami Rosenstein, dito Tristan), Hugo Ball e Hans Arp.
Também pertenciam ao grupo os artistas Marcel Janko, Hans Richter e Hans Arp (pintor e poeta alemão, depois de naturalizado francês, passa a se chamar Jean Arp).
Arp que ficaria sendo o mais típico representante do movimento na sua fase suíça diz: “Falamos do Dadá como uma cruzada para a reconquista da terra prometida da Criatividade”.

O Cabaret Voltaire berço do dadaísmo
O grupo se encontrava em cafés de Zurique, onde Hugo Ball fundou o Cabaret Voltaire em 1916, sede do primeiro grupo dadaísta, o clube seria destinado às manifestações artísticas de vanguarda.
Juntos desenvolveram uma série de atividades no Cabaret que rapidamente divulgou-se devido ao seu profundo caráter provocativo.
O acaso era extremamente valorizado pelos dadaístas, bem como o absurdo. Tinham tendências claramente antirracionais e irônicas. 
 A escolha do  nome
A idéia inicial era a realização de um espetáculo internacional de Cabaré que contava com músicas diversas, recitais de poesia e exposição de obras.
A maneira como surgiu o nome do evento é sugestiva: por acaso Ball e Hülsenbeck abriram um dicionário de alemão-francês e acabaram se deparando com a palavra dada, que foi posteriormente adotada pelo grupo e pelo movimento.
A brochura "Cabaret Voltaire", a inauguração da "Galeria Dada" em 1917 e as revistas "Dada", seguidas de livros sobre o movimento, ajudaram a popularizá-lo.
O objetivo máximo era o escândalo
O Dadaísmo procurava chocar um público mais ligado a valores tradicionais e libertar a imaginação via destruição das noções artísticas convencionais.
Apesar de sua curta durabilidade - no período entre guerras, praticamente havia sido esquecido - e das críticas realizadas ao movimento, fundamentalmente baseadas em sua ausência de vocação construtiva, teve grande importância para a arte do Século XX.
Fez parte de um processo, observado nesse século, de libertação da arte de valores preestabelecidos e busca de experiências e formas expressivas mais apropriadas à expressão do homem moderno e de sua vida.
Em seus sete anos de vida, o Dadaísmo parecia muitas vezes, sem sentido, mas tinha um objetivo: protestava contra a loucura da guerra. Strickland diz (1999) que “Os dadaístas tinham um objetivo mais sério do que causar escândalo: "queriam acordar a imaginação”.
Os valores
Os valores pré-estabelecidos se verificam nos primeiros momentos do Carbaret de um modo aparentemente ingênuo. Marcel Janco mostra um estilo bastante peculiar e que assimila elementos próprios futurísticos nas obras representadas do célebre Carbaret Voltaire.
Uma noite dadaísta típica contava com diversos poetas declamando versos nonsense simultaneamente em línguas diferentes e outros latindo como cães. Os oradores lançavam insultos à platéia, dançarinos com trajes absurdos adejavam pelo palco enquanto uma menina de vestido de primeira comunhão recitava poemas obscenos. (STRICKLAND, p. 148, 1999)
O ataque niilista
Nesse primeiro conflito global, anunciado como a “guerra para acabar com todas as guerras”, dezenas de milhares morriam diariamente nas trincheiras para conquistar uns poucos metros de terra calcinada e em seguida eram forçadas a recusar pelos contra-ataques. Dez milhões de pessoas foram massacradas ou ficaram inválidas. Não admira que os dadaístas achassem que não podiam mais confiar na razão e na ordem estabelecida. Sua alternativa foi subverter toda autoridade e cultivar o absurdo. (STRICKLAND, p. 148, 1999)
O Dadá se define como um ataque niilista e violento contra a arte de seus agentes, e como um jogo.
os dadaístas mostram suas preferências pelo irracional mantendo-se a frente de qualquer coisa uma postura profundamente “niilista”.
A arte escachada dos dadaístas inspira movimentos posteriores
O dadaísmo costuma ser bastante identificado aos ready-mades de Duchamp, como os urinóis elevados à categoria de obras de arte ou outras proezas do artista, como o acréscimo de bigodes à Mona Lisa.
Os poemas nonsense, as máquinas sem função de Picabia, que zombavam da ciência, ou a produção de quadros com detritos, como Merzbilder, de Schwitters, são obras características do dadaísmo.
O dadaísmo forneceu grande inspiração para movimentos posteriores, como o Surrealismo, derivado dele, a Arte Conceitual, o Expressionismo Abstrato e a Pop Art americana.
Artistas Participantes do início do movimento
André Breton
Arthur Cravan
Beatrice Wood
Clement Pansaers
Emmy Hennings
Francis Picabia
George Grosz
Guillaume Apollinaire
Hannah Hoch
Hans Arp
Hans Richter
Hugo Ball
Jean Crotti
Johannes Baader
Julius Evola
Kurt Schwitters
Man Ray
Marcel Duchamp
Marcel Janco
Max Ernst
Philippe Soupault
Raoul Hausmann
Richard Huelsenbeck
Sophie Täuber
Theo van Doesburg
Tristan Tzara
Vicente Huidobro
As provocações e os artistas Dadás em várias partes do mundo
O dadaísmo procura a destruição da cultura. O Club Dadá representava uma guerra de internacionalismo do mundo, é um movimento internacional antiburguês.
O Club Dadá representava uma guerra de internacionalismo do mundo, é um movimento internacional burguês.
A revista "Dada 291" é publicada na cidade americana, em Barcelona, Paris, outras cidades por onde o movimento espalhara-se. Berlim, Colônia e Hanover são importantes focos Dada.
Francis Picabia teve grande importância no movimento dadaísta com suas pinturas de máquinas. Foi o artista que acabou por fazer a ponte entre o dadaísmo europeu e o americano, tornando-se, juntamente com Duchamp e Man Ray, uma das principais figuras do dadaísmo forte em Nova York.
Os artistas:
  • Marcel Duchamp chega em Nova York, em 1915 integrado ao espírito crítico e negativista do dadaísmo. Duchamp, leva de presente para seu amigo Arensberg um vidro com o ar de Paris. Isto incidia posteriormente na primeira inclusão do artista francês no mundo dos objetos descontextualizados. 
  • Sua maior obra foi “Fontaine” de 1917, premiada pelo comitê de seleção de obras “Independientes” em Nova York. Duchamp preferiu assinar a obra com  o pseudônimo de R. Mutt, este objeto, um urinário. Sua conversão de objetos em uso comum. Duchamp coloca bigode na obra de Gioconda, querendo com isso provocar e escandalizar o espectador, L.H.O.O.Q..(1919). 
  • Em distintas fases de obra Duchamp mesclou realidade fantasia, fato este que foi assimilado pelo Surrealismo.
  • Richard Hülsembeck, autor de Cabeça Mecânica (1919-1920), organizou em 1918, a primeira Feira Dadaísta. Divulgou um panfleto contra a concepção da vida de Weimar, em 20/04/1919, onde expunha “Yo anuncio el mundo dadaísta! Me rio de la ciencia y la cultura, estas seguridades miserables de una sociedad condenada a murte”.
  • Numa carta datada de 1924, Kurt Schurithers diz que nunca havia sido um dadaísta, havia inventado uma fórmula política.
  • Raoul Hausmann, homenageia a nova arte revolucionária russa, atacando o militarismo alemão. O artista situa sobre sua cabeça de madeira, toda série de aparatos e sistemas, como se trata de controlar a capacidade de pensamento do indivíduo. Coincide plenamente com os pensamentos de Duchamp, Picabia e seus “antemecanismos”.
  • A obra de Schwitters se caracterizou sempre pelo sentido eminentemente construtivo, de modo que, o reverso de toda a trajetória destrutiva dadaísta.
A expansão do Dadaísmo
O dadaísmo foi uma corrente difundida simultaneamente e diversos lugares da Europa, tanto ideologicamente como também em caráter prático.
As publicações dadaístas favoreceram à medida que a comunicação se estabelece com outros grupos de artistas, dentre eles se destacam principalmente os construtivistas russos, os neoplacistas ( movimento que  defendia uma maneira simples e racional de criar beleza sustentável) holandeses e os representantes de Bauhaus.

Dadá na Alemanha: o ambiente propício
A Alemanha atravessava um caos político e uma terrível situação econômica, o que foi apropriado para o surgimento do dadaísmo alemão que desde o início teve um significado muito mais popular e violento do que poderia ter havido em Zurique.
O movimento ganhou características mais próximas de protesto social que de movimento artístico.
A linha ideológica dos dadaístas alemães era a ruptura com o sistema artístico burguês e a opção política revolucionária.
O Dadá reúne em Berlin artistas como Raoul Hausmann, Hannah Höch, Johamnes Baader, Wieland Herzfelde, John Heartfied e George Grosz.
Dadá em Paris -1920 é o ano do triunfo do movimento em Paris.
Muito antes de Tristan Tzara, tinha-se notícia que em Paris, já existia atividades dadaístas. Um poeta romano mantinha correspondência com Guillaune Apollinaire e era colaborador da revista Nord-Sud, dirigida por Pierre Deverdy que difundiu a ideologia dadaísta em Paris.

O fim do movimento Dadá
Profundas desavenças entre Tristan Tzara e André Breton, tiveram como consequência o desaparecimento do movimento dadaísta e o nascimento do Surrealismo.
O fim do dadaísmo, ocorre em 1923 após um escândalo. A partir desse momento Tzara se dedica a rezar o “Oracion Fúnebre por Dadá” em diversas reuniões celebradas em distintas cidades da Alemanha.

Imagens retiradas do Google imagens
BIBLIOGRAFIA
STRICKLAND, Carol. Arte Comentada: Da Pré-História ao Pós-Moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999.
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