quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Balé Clássico

Depois de Beauchamps, Lully, Moliére e da bailarina Maria Taglione o balé é outra dança...



No século XVI, a Igreja já não possuía a mesma força política que tinha no auge da Idade Média, era a nobreza que possuía tal status e manobrava a sociedade do alto dos seus castelos luxuosos e exércitos para servir-lhes.

Quando Catarina de Médici chegou da Itália à França para tornar-se rainha, trouxe consigo artistas que já produziam óperas e balés de corte em seu país e o seu coreógrafo mais importante, Baltasar Beaujoyeux, cujo nome verdadeiro era Baldassarino Belgioso.

Este coreógrafo transformou o balé de corte em balé teatral. Sua primeira grande montagem de balé teatral na França foi o “Ballet Comique de la Reine”, em 1581, utilizando diferentes linguagens artísticas, com produção de libretos contendo cópias das músicas da apresentação, que foi feita para um público de estimado em mais de dez mil pessoas, cuja duração foi de aproximadamente 6 horas.

Este acontecimento foi o marco do surgimento do balé clássico.
Baltasar Beaujoyeux considerava a dança uma organização de desenhos geométricos construídos pelo grupo de pessoas em movimento, pois a coreografia era freqüentemente vista de cima, nas bancadas, balcões e camarotes, e o estilo da época era chamado de basse danse (dança baixa), constituída de passos rasteiros cadenciados e contados, evitando evoluções complexas e os saltos, até mesmo pelo vestuário e estilo nobre do século XVI.

No século XVII, Luis XIV, rei da França, autodenominava-se “Rei Sol”, por ter protagonizado, aos quinze anos, o papel de “rei sol” no Ballet de la Nuit, em 1653, primeiro dos 26 balés que dançou como primeiro bailarino em seu reinado.

O primeiro grande Maître de Ballet (mestre de dança), foi Charles-Louis-Pierre de Beauchamps,  responsável pela criação das cinco posições básicas dos pés no balé. Essas posições foram criadas com a intenção de manter o equilíbrio do corpo em movimento ou parado, e organizar a estética da dança. Beauchamps não deixou nada escrito, porém seu trabalho foi repassado por seus discípulos Raoul-Auger Feuillet e André Lorin.

No reinado de Luís XIV, o Ballet Comique de la Reine foi se desestruturando, enquanto Beauchamps, Lully e Moliére foram desenvolvendo a “Ópera-balé” na Itália.
Em 1661, o rei da França fundou a “Academia Real de Dança e de Música”, e em 1681, Lully começou a introduzir bailarinos profissionais em seus balés, aprimorando a técnica clássica.
Beauchamps desenvolveu passos como: o “entrechat” (um sobressalto com batidas); o “grand jeté “(salto em comprimento).

Pierre Rameau maître de ballet, publicou em 1725, sistemas de dança que se baseava em princípios de Beauchamps.

Raoul-Auger Feuillet, discípulo de Beauchamps, apresenta quatrocentos e sessenta passos de ballet, entre os quais: pliés, elevés, tombés, glissés, cabrioles, e ainda, giros, cadências e figuras do corpo, piques, coupés e pas de bourrés. Delineando, também, os eixos perpendiculares para se movimentar e girar, sendo eles: frontal; dorsal; e lateral. É no Iluminismo que surge a dança clássica Virtuosa.

Jean-Georges Noverre apresentou, em 1789, o primeiro balé que rompeu definitivamente com o estilo da ópera, o “Les Caprices de Galathée”: o “drama-balé-pantomima”. Para ele o balé deveria narrar uma ação dramática, ser natural e expressivo, utilizar a pantomima, e abolir as máscaras por esconder a expressão facial do bailarino. Aboliu também as enormes perucas “operescas” dos balés, mudando o comprimento do vestuário feminino para dar mais leveza e graciosidade aos movimentos. Sua preocupação era grande em relação a formação do bailarino, pois acreditava que eles precisavam aprender diferentes áreas do conhecimento, para não se tornarem autômatos da dança.

O balé romântico no século XVIII procurou negar a força da gravidade, através utilização das sapatilhas de pontas pelas mulheres, cuja primeira bailarina a utilizá-la foi Maria Taglione, em 1826.
Ainda neste período do romantismo o bailarino passa a assumir a função de suporte para a bailarina brilhar com leveza e graciosidade.

No século XIX o balé clássico aperfeiçoa-se e grandes escolas da Rússia, Itália, França e Inglaterra consolidam-se. Além desses países, destacam-se outras escolas ou técnicas desenvolvidas: por Cuba, Estados Unidos e China.

Resumindo...

Pierre Beauchamp – século XVII, foi um coreógrafo, bailarino ,  compositor e um dos diretores da Academia Real de Dança, da França.
Charles-Louis-Pierre de Beuchamps foi um dos principais nomes, na elaboração de uma codificação da dança clássica. Foi responsável pela definição das 5 posições básicas do balé.

Maria Taglioni
Maria Taglioni (1804-1884) bailarina nascida em Estocolmo é considerada a primeira e principal bailarina do período romântico.
Fez sua estréia em Viena em 1822, em um balé criado por seu pai,
o coreógrafo italiano Filippo Taglioni.
Dançou Ópera de Paris desde 1827,
porém o sucesso só chegou  em 1832, quando interpretou o papel principal, no balé La Sylphide, com coreografia de seu pai, sendo aclamada em toda Europa. 
Foi a primeira bailarina a subir nas pontas dos pés calçando sapatilhas especiais.
Dançou no Teatro Imperial de São Petersburgo por dois anos.

Galeria de imagens de bailarinas:
Referências
YAZLLE, Ana. Plano B. Disponível em: <http://planoballet.blogspot.com>Acesso em 23 out 2011.
http://luizabandeira.blogspot.com/2009/09/maria-taglioni.html.  Acesso em 23 out 2011.
http://pt.wikipedia.org/. Acesso em 23 out 2011
Para saber mais:
BOURCIER, Paul. História da dança no ocidente. São Paulo: Martins Fontes, 1987.
CANTON, Katia. E o príncipe dançou. Trad. de Claudia Sant’Ana Martins. São Paulo: Ática, 1994.
GARAUNDY, Roger. Dançar a Vida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
MENDES, Míriam Garcia. A Dança. São Paulo: Ática, 1987.


Assista ao balé de Bolshoi.





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