quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Relatório de visita à Catedral São Pedro de Alcântara e ao Mercado Público Municipal

Disciplina: patrimônio Material e Imaterial
Professor: Avelar Amorim
UFPI - Parfor                                

VISITA À MATRIZ DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

Foto de Walter
             Cheguei à Praça Dr. Sebastião Martins para uma visita de pesquisa. Cada um de nos estava com o olhar atento e focado para detalhes nunca antes percebidos. Eu cheguei às 08:15h e contemplei a estátua de ex-prefeito, onde há uma placa datada de 20/01/2011, uma homenagem do último prefeito de Floriano no século XX. Essa placa marca o centenário de Dr. Sebastião Martins M. de Araújo Costa (20/01/1901- 03/11/1956), importante figura do cenário político e também um conceituado médico no município.
Após exame minucioso da escultura tantas vezes vista anteriormente, mas só agora percebida detalhadamente, encaminhei-me à sacristia da Igreja de São Pedro de Alcântara onde se encontrava a equipe para a entrevista com Judivan Ferreira de Sousa, sacristão da igreja há 21 anos.  Tivemos uma conversa bastante proveitosa que durou aproximadamente 70 minutos na qual pudemos conhecer detalhes da história que antes não conhecíamos.
Desde o início da formação do município, os florianenses sempre tiveram suas crenças e devoções, sempre foram pessoas muito religiosas, e a história religiosa começa mesmo antes da construção da primeira Igreja de São Pedro de Alcântara.
Ficamos sabendo que a atual igreja foi toda construída em mutirão. Segundo relatos do sacristão, a Paróquia de São Pedro de Alcântara passou a existir a partir da transferência da administração civil do município Manga, Piauí para o estabelecimento rural de São Pedro de Alcântara, através de resolução publicada em 19/06/1890 pelo presidente da Província do Piauí o Sr. Joaquim Nogueira Paranaguá.
Em 19/06/1893 por ato continuo do Bispo Diocesano de São Luiz do Maranhão, Dom Antônio Cândido de Alvarenga, Bispo do Maranhão, foi determinada a transferência da freguesia de nossa Senhora da Conceição da Vila da Manga (Uíca) para nova sede na Colônia de São Pedro de Alcântara.
A construção da primeira Igreja de São Pedro de Alcântara foi iniciada em 1875, no mesmo local que em 13/06/1922 foi inaugurado o novo e majestoso templo do padroeiro.
A igreja foi idealizada e iniciada no dia 13/06/1922, pelo Padre Acylino Portela e Inaugurada, benzida no dia 02/06/1932 por Dom Severino de Melo, bispo do Piauí na administração do Conêgo Gastão Pereira da Silva, Pároco da citada Freguesia.
A partir dessa data sendo designada Paróquia de São Pedro de Alcântara (1893 – 1968) abrangendo até 1967 todo o município de Floriano, Nazaré do Piauí, Itaueira, Pavussu, Rio Grande do Piauí e Flores. Funcionando a primeira Casa Paroquial no antigo prédio da Farmácia Santa Adelaide.
As paróquias de São Gonçalo de Amarante (em Amarante) e de Santo Antonio (em Jerumenha) originaram a paróquia de São Pedro de Alcântara, que foi sagrada das seguintes Dioceses: Diocese de São Luiz do Maranhão (1893-1901), Diocese do Piauí (1901-1944), Diocese de Oeiras (1944-1977), Diocese de Oeiras-Floriano (1977-2008), ganhando o título de Co-catedral de São Pedro de Alcântara (20/06/1978), passando a antiga Diocese de Oeiras a denominar-se Diocese de Oeiras - Floriano.  E somente em  27/02/2008 passou a Diocese de Floriano.
Da paróquia de São Pedro de Alcântara originou-se a paróquia de Nossa Senhora das Graças (11/081967), fazendo parte desta, Santa Cruz, Nazaré e Nossa Senhora das Mercês. 
Em 1976 criou-se a Paróquia de Bom Jesus do Itaueira. Em 1983 foi desmembrada a paróquia de Nossa Senhora das Graças e criada a de Nazaré do Piauí.
E em 2000 criou-se no bairro Campo Velho a Paróquia de Santana.  A última paróquia criada foi a de São José Operário criada em outubro de 2010, pelo bispo dom Valdemir. Essa paróquia compreende os bairros caixa d’Água, Catumbi, Curador e Pau Ferrado.
Um dos vigários que permaneceu mais tempo como pároco na paróquia de São Pedro de Alcântara foi o inesquecível padre Pedro Oliveira que ficou a frente da mesma pelo período de 16/01/1938 a 18/06/1985 e ficou como vigário emérito até o seu falecimento em 27/01/1984.
O tombamento da igreja aconteceu em 1997 e antes disso algumas coisas foram mudadas como, por exemplo, o altar foi retirado do canto do altar mor. O mosaico é original, ainda de 1946, veio de navio do Rio de Janeiro até o Porto de Luís Correia e de Parnaíba veio para Floriano a lombo de burro.  Os confessionários também são da década de 1940.
A igreja conserva algumas imagens de santos no altar mor Sagrado coração de Jesus, São Pedro de Alcântara, Nossa Senhora da Conceição e um anjo de cada lado. Á direita no local onde o padre Pedro Oliveira foi sepultado há a imagem de Cristo crucificado e ornando as laterais da igreja há uma via sacra de gesso.
Um fato que eu desconhecia era o de que o terreno da igreja que havia sido tombado na gestão do ex-prefeito José Leão Azevedo de Carvalho, mas a legalização do mesmo só aconteceu agora na gestão do prefeito Joel Rodrigues que fez a doação na solenidade de posse do bispo dom Valdemir em 03/07/2010. Em seguida o Padre Ivan Alves Mendes, novo Chanceler nomeado fez coleta para registro do terreno em 05/07/2010.
Após o registro do imóvel um grupo de pessoas formado por evangélicos, liderados por uma ex-secretária do Município e irmãos evangélicos do prefeito, protesta querendo a anulação da doação do terreno. O bispo e os fiéis se recusaram a assinar a anulação e o grupo requerente contratou advogado e foi parar na justiça. Enquanto isso os católicos se reuniram em oração, todos os dias um grupo de fiéis orava pedindo a intercessão de São Pedro de Alcântara. E após um mês de oração, vence a força da fé, derrotando finalmente as vãs tentativas de anulação de um documento que era legal, vence, portanto, a justiça. Esse detalhe da história é desconhecido da comunidade, pois somente as pessoas que estão diretamente ligadas a igreja tomaram conhecimento dos pormenores.
Eu tinha curiosidade em saber se ainda era mantido o costume de se tocar o sino anunciando a morte dos fiéis, pois apenas algumas vezes eu ouço o sino tocar e geralmente quando o mesmo toca é por morte de alguém bem ligado a igreja. Aí o sacristão me esclareceu que o sino toca sempre que a família do morto entra em contato com a igreja e que não se cobra por isso. Mas é necessário que alguém da família faça o pedido formal e assine, pois já aconteceu de alguém pedir por telefone para o sacristão anunciar o falecimento de alguém e tocar o sino, ao que ele atendeu prontamente e logo após a família veio lhe reclamar que a pessoa não havia morrido encontrava-se num hospital internada.
Outro costume que está mudado é o de celebrar a missa de corpo presente na igreja, hoje geralmente as pessoas de mais posses velam seus defuntos no memorial e lá fazem todos os rituais, orações, missa, encomendação do corpo. Quando a missa ocorre na igreja o horário é fixo, as 16:00 h para não interferir nas demais celebrações da igreja. Mas também ocorre a celebração das exéquias pelos ministros da eucaristia na casa do defunto quando o corpo é velado na casa da família. Também nessas cerimônias a igreja não cobra taxa de celebração, apenas a funerária oferece um óbolo. 
Muitos fiéis devotos do Sagrado do Coração de Jesus comungam na primeira sexta-feira de cada mês e mantém o costume de fazer a confissão auricular, sendo que esta acontece às 16:30 h da primeira quinta-feira.
Horários de missas na catedral: de segunda a sexta-feira às 17:30 h;  sábado: 17:00 h;  domingo:  09:00 h e  19:00 h. Batizados todos os domingos às 10:30 h e confissão comunitária: toda primeira quinta-feira do mês às 16:00 h.
Perguntei se ao Judivan se é cobrada alguma taxa dos comerciantes das barracas da banca de revista por terem o seu comércio na propriedade da igreja e ele respondeu que até o presente momento ninguém paga nada.
            A igreja é uma bela construção eclética, pois há traços do estilo neogótico com a presença de arcos ogivais e do neoclassicismo com a presença de cúpulas.
Há 19 grupos e movimentos paroquiais:
Apostolado da Oração Sagrado Coração de Jesus;  Equipe de preparação de pais e padrinhos; Equipe preparação Noivos; Confraria de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; Confraria de Nossa Senhora do Carmo; Encontro de Casais com Cristo (ECC); Coral da Família; Ministros Extraordinário da Santa Comunhão; Banda Apocalipse; Renovação Carismática Católica; Vicentinos; Encontro de Casais Com Cristo; Terço dos Homens; Catequese, Filhas de Maria; Pastoral do Dízimo; Coral de São Pedro de Alcântara;(GASPA) Grupo de Acólitos São Pedro de Alcântara e Infância Missionário.
De 1893 a 2011 a paróquia teve os seguintes párocos: Padre Antonio Marques dos Reis (1893-1915); Padre Benedito Olympio de Castro (1915-1916); Padre Acylino Baptista Portela Ferreira Richard (1916-1923); Padre Benedito Cantuária de Almeida e Sousa (1925-1927); Padre Gastão Pereira da Silva (1927-1935);Padre Antonio Cardoso de Vasconcelos; Padre Pedro da Silva Oliveira (1938-1985);Padre Ivan Alves Mendes (1985-1995);Padre Aristides Ferreira de Miranda (1995-2007);Padre Kleyton Vieira da Silva (20/01/ à 31/12/2008); Padre Adalberto da Silva dos Santos (03.05.2009 à 26 e atualmente Padre Ivan Alves Mendes, desde 27/11/2010 ).  
Encerramos a entrevista e seguimos para o Mercado público central acompanhadas pelo professor Avelar para darmos continuidade a nossa pesquisa.

VISITA AO MERCADO PÚBLICO IZAEL ALVES ALMEIDA

             Cheguei ao mercado central acompanhada de meus colegas e do professor e enquanto o professor Avelar procurou uma barraca para tomar um café, procurei explorar o espaço para conhecer feirantes e o funcionamento do sujeito observado. Constatei a diversidade de itens negociados, de pessoas cada uma com as suas particularidades e suas maneiras próprias de negociar, de falar, mas com algo em comum, o amor pelo trabalho, pelo local de trabalho e a simplicidade.
Primeiramente observei a Rádio Comércio á cabo de Floriano que anima e deixa a toda a comunidade local informada. Depois me dirigi para uma banca onde se vende várias espécies de casca com indicações para variadas aplicações medicinais. Falei com o casal Aldemir de Oliveira Costa e dona Iraci donos da barraca. A nossa conversa fluiu com naturalidade e pude constatar a alegria dos dois ao se referir ao mercado. Eles são de Nazaré do Piauí, mas vieram para Floriano e se estabeleceram no mercado desde 25/06/1978. Contam que o mercado anterior foi demolido e construído outro denominado de “José Bruno dos Santos”, há 16 anos após a modificação do mesmo, foi denominado de Guilherme Melo (ex-governador do Estado) e depois novamente modificado para Izael Alves de Almeida.
Dona Iraci mostrou-me algumas indicações para as cascas que são negociadas por ela: mangabeira usa-se para gastrite, ameixa para inflamações, catinga de porco para o intestino e o pau pra tudo é indicado para diabetes. Confesso que fiquei interessada nessa última indicação, mas fiquei de voltar lá em outra ocasião.
Perguntei para o casal o que achou da reforma do mercado e tanto dona Iraci quanto o seu Aldemir disseram que acharam ruim para vendas pelo fato de aumentar o número de comerciantes e por isso as vendas caíram, pois além de aumentar a quantidade de vendedores, ainda tem a concorrência do supermercado que abre aos domingos, dia da feira. Segundo a dupla o mercado não dá dinheiro, é apenas o lugar de escapar.
Senhor Aldemir diz que está aposentado desde 2006, após fazer uma operação do coração, mas que todos os dias vai ao mercado, tanto para acompanha a mulher quanto porque não consegue ficar em casa, pois é no mercado onde ele areja a cabeça, onde tem o contato com os conhecidos, com as pessoas e é a forma como ele se diverte é muito bom. Todos os dias da semana eles chegam ao mercado às 06:00 h da manhã e voltam para casa entre às 16:00 h e 16:30 h, e no domingo eles chegam as 04:30 horas da manhã e ficam até as 13:00h, pois é no domingo que se vende mais, a barraquinha deles tem produtos variados, além das cascas com fins medicinais, encontram-se: rapadura, batida, mel, frutas e verduras, cereais, castanhas, azeites.
Conversamos também com outras pessoas que freqüentam o mercado e elas disseram que vão lá por motivos variados: pela amizade que já fizeram com as pessoas, porque lá tem o melhor caldo, a melhor comida, o melhor preço enfim cada um tem um motivo.
Na saída entramos no Espaço de Saúde Antonio Cirilo de Freitas, O Cirilão, criado em julho de 2007 para atender a demanda do mercado. O nome foi em homenagem ao 1° feirante de lá. Esse espaço foi criado para prevenção e é dirigido por Romualdo Procópio.
Conclusão
Através dessa pesquisa pude constatar a compreensão do processo histórico. Cada coisa por mínima que seja está arraigada de vida. Verifiquei o quanto a memória oral é importante para desnudar os saberes constituídos. O  conhecimento, a informação e  a lembrança  existente em cada hábito, cada ritual, cada construção que se ergue, pois cada coisa e cada ser traz consigo os seus valores. Conferi a importância da memória oral que ajuda a registrar a história oficial.
            Nesse sentido entendo o quanto é importante que  nos sensibilizemos  e mobilizemo-nos para que sejam reconhecidos nossos valores culturais locais.

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