domingo, 21 de agosto de 2011

Memorial ITN


Até pouco tempo eu sentia receio de falar sobre a profissão que exercia por medo das críticas que recebia por ser considerada professora leiga, isto me chateava bastante, mas agora estou acabando de concluir o Ensino Médio – o PROFORMAÇÃO, e isto me faz sentir mais confiante e preparada para exercer a minha profissão de cabeça erguida.. E este fato extraordinário, me encorajou a fazer um balanço geral na minha vida...
A primeira vez que pisei na escola, ainda me lembro que passei toda a manhã chorando e pedindo para a professora para deixar-me ir embora para casa – coisa que ela não o fez - no dia seguinte repetiu-se a mesma história, eu não queria voltar à escola, mas, graças a Deus a minha mãe obrigou-me a voltar e nos dias seguintes também até que eu parei com a cisma (cisma essa que eu não entendo já que a minha professora era uma ótima pessoa, muito paciente) e depois de uma semana de aula eu já não queria mais faltar.
A minha primeira professora chamava-se dona Tereza Carvalho, eu tinha então sete anos, engraçado como a gente não esquece a primeira professora! Mas, também me recordo da segunda professora a dona Maria José Andrade (Mazé), eu possuía grande apreço por ela, e ainda possuo.
Eu e minhas duas irmãs íamos juntas à escola, só que eu queria aprender a ler primeiro - e consegui- eu era a menor da turma, sempre fui pequena e isso servia também para gozação dos alunos maiores, eu me vingava estudando e tirando boas notas. Agradeço o meu bom desempenho ao incentivo que sempre recebi de meus pais que não gostavam que suas filhas faltassem às aulas.
Nós ajudávamos ao meu pai, cuidávamos da horta aguando as plantas todos os dias, mas após nossos afazeres domésticos, tínhamos obrigação de irmos ao colégio. Meus pais sabiam da importância de uma boa educação.
Havia competições para ver quem sabia mais a tabuada, com isso éramos obrigados a estudar para ganhar a competição (foi até bom para mim, porque aprendi mais rápido).
Quando passei nos exames finais e fui estudar a 3ª série, mudei de horário, da manhã passei para a tarde e não gostei, acho que não gostava de novidades. A nova professora, dona Alzenir fazia uma brincadeira de chicote queimado e aí eu comecei e me interessar novamente pelas aulas esperando com ansiedade pela hora do intervalo e dizia que quando fosse professora iria dar uma hora de intervalo para meus alunos, porque achava o tempo do intervalo - de 20 minutos - muito curto (hoje eu entendo que a professora não era ruim por não esticar o horário do recreio, ela simplesmente não podia).
Concluindo a 3ª série, enfrentei nova mudança. Os meus pais me colocaram para estudar em Floriano na casa de uma tia e desta vez a mudança foi brusca, foi mudança de ambiente, de método de ensino, enfim, levei algum tempo para adaptar-me novamente.
Possuía professores diferentes e não gostava da professora de Matemática, pois ela me achava “burra” acho que por eu ser calada e não me integrar à turma, pois era do interior e não conhecia ninguém, mas com o passar dos dias fui respondendo às suas chamadas ao quadro e ela foi mudando o seu conceito sobre mim, viu que o meu caso era timidez e não burrice.
Acho que fui uma boa aluna, pois era muito disciplinada e tinha facilidade de aprender, mas é importante lembrar que sempre tive orientação da minha mãe em casa.
Infelizmente, não tive condições de permanecer na cidade e concluir os meus estudos. Por necessidade fui obrigada a trabalhar ainda com meus estudos incompletos e sem conhecimentos pedagógicos, mas creio que fiz o melhor que pude dentro das condições existentes.
Agora que voltei a estudar criei alma nova. Aprendi muitas coisas e tornei-me uma professora mais ativa, mais determinada e mais segura. Os meus alunos gostaram da mudança que viram.
            Aprendi várias coisas importantes, mas uma que eu devo mencionar neste memorial é o trabalho com projeto. Foi uma exigência do PROFORMAÇÃO que desenvolvêssemos um projeto no decorrer de nosso curso. Apesar deste assunto ter incomodado tanto logo que foi laçado para nós, o resultado final foi para todos, muito positivo.
            Este trabalho me ofereceu a oportunidade de manter contato com pessoas dotadas de muita criatividade - os artesãos de nosso município. Algumas dessas pessoas com os quais mantive contato trabalham com muito prazer e encontram também no seu trabalho uma fonte de renda para ajudar no seu orçamento familiar.
Tive conhecimento de que o trabalho desenvolvido pelos artesãos locais é pouco divulgado e pouco reconhecido apesar ser um trabalho merecedor de destaque tanto por ser uma arte nossa como também por ser desenvolvido sem nenhum incentivo social ou governamental. Cheguei à conclusão de que para despertar o interesse da comunidade para a arte local, é necessário darmos o primeiro passo; incentivando, mostrando, divulgando e valorizando o trabalho destas pessoas que fazem a arte popular e propomos para início, uma exposição dos trabalhos feitos pelas pessoas da região como: as redes, os bordados, almofadas, tapetes etc oferecendo-lhes como incentivo o nosso espaço físico, ou seja, uma “Feira de Artesanato” em nossa escola.
Como todos os professores, eu também procurei me espelhar naqueles professores que eu admirava e me esforcei para não repetir o que eu considerava de “erros graves’, aqueles erros que eu abominava no meu tempo de estudante.
Agora que já estou concluindo o Ensino Médio - PROFORMAÇÃO tenho consciência das habilidades de ensino e procuro fazer o melhor para desempenhar o meu papel de professora. Já não sinto mais nenhum receio quando a minha Tutora chega na sala de aula para fazer a Prática Pedagógica porque sinto segurança nos meus métodos e tenho consciência do que faço na sala de aula. Há algum tempo atrás, quando ela chegava na sala de aula eu me tremia toda, ficava gelada e tão nervosa que não conseguia fazer nada direito. Achava ótimo quando a visita acabava e agora, tanto eu quanto os meus alunos achamos ruim quando a visita acaba.
Ileane
(Cuia, dezembro 2011)

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