domingo, 21 de agosto de 2011

Memorial GCSO


             Comecei a estudar aos sete anos de idade e a professora era a minha própria irmã. Éramos 52 alunos na sala para sermos alfabetizados. Podia até não haver aprendizagem, mas que era divertido, isso era! Após ser alfabetizada, passei a estudar em Floriano, numa turma também lotada com 45 alunos (desde aquela época já havia superlotação nas salas de aula)
            Quando passei para a 3ª série, tive uma professora que me marcou por ser muito carinhosa. Os professores gostavam de mim e eu deles, mas não conclui meus estudos. Não foi por falta de incentivo da minha família, isto eu sempre recebi e ainda recebo (de meus pais, de minha irmã  de meus filhos), foi por força das circunstâncias. Casei-me muito cedo e tive necessidade de trabalhar.
            O início de meu trabalho como professora não foi nada fácil, pois não estava preparada para ser professora (só agora reconheço e admito isto), mas precisava de trabalho e achava que ser professora de crianças até a 4ª série não era difícil e eu daria conta do recado, sozinha. Realmente, eu dei o meu recado, mas fazendo uma reflexão sobre um ensino feito às cegas e um ensino orientado, é que vejo a diferença e reconheço a necessidade de um acompanhamento pedagógico mais de perto.
            Fiquei muito feliz quando a Secretaria de Educação nos deu a oportunidade de qualificação, de crescimento. Reconheço o desempenho de todos para nos tornar aptos para exercermos o magistério.
            Aprendemos muito durante este curto tempo de dois anos que foi a duração do PROFORMAÇÃO, mas sei que ainda falta muito para aprender. É tão bom saber falar de cidadania com meus alunos, é bom saber que posso avaliá-los de várias maneiras, que posso tirar as minhas dúvidas com alguém experiente que pode me dar muitas dicas e orientações sem que eu me sinta um fracasso profissional.
            Antes de iniciar este curso, cheguei várias vezes a me sentir perdida, sem saber o quê ensinar e como fazer na sala de aula. Agora me sinto com as forças renovadas e relato estes fatos neste memorial sem nenhum constrangimento, pois acho que cresci na minha vida pessoal e profissional, e foi tanto que meus alunos sentiram esta mudança. Ganhamos todos.
Com  a elaboração do Projeto concluímos que as nossas escolas estão muito bem monitoradas, mas que apesar de toda competência das pessoas envolvidas com a educação ainda falta trabalharmos bastante para sanarmos todas as dificuldades existentes, pois é necessário que haja um número suficiente de escolas para atender a toda demanda, mas também é necessário empenho por parte dos dirigentes, dos governantes,  dos professores enfim de todos os que fazem a educação no nosso Município, no nosso Estado e no Brasil.
            Vimos em nossa pesquisa que a realidade das escolas na zona urbana é diferente da realidade das escolas da zona rural
Na zona urbana quase não existem problemas, na zona rural encontramos problemas freqüentemente como: escola funcionando em casa de professores que não oferecem nenhuma estrutura, isto acontece porque a Lei só garante a construção de prédios quando o número de alunos é superior a 25, com isso, algumas localidades são prejudicadas, pois, não conseguem reunir esse total de alunos.
Outro problema que é muito comum encontrarmos na zona rural são as classes multiseriadas que dificultam o trabalho do professor.
Sobre a evasão escolar, achamos que é um problema que precisa da colaboração dos pais, sem a ajuda deles é muito difícil solucionar esta situação.
Constatamos que a inexistência de escolas de ensino fundamental de 5ª a 8ª série na zona rural ocorre por escassez de professores qualificados, pois, para trabalhar nessas localidades o deslocamento dos mesmos é muito difícil e não existe atrativo financeiro que os incentive.
            Sinto necessidade de agradecer a equipe de professores deste Curso, à Coordenação, à Secretaria de Educação e especialmente à minha estimada Tutora.
Um abraço,
Guia
(Cabeceira do Brejo, dezembro 2011) 

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