domingo, 21 de agosto de 2011

Memorial FLC


Hoje eu parei para pensar e tentei resgatar as minhas lembranças para relatar neste memorial e me vieram à mente recordações incríveis...
            Lembrei-me da minha infância e dos meus primeiros dias de aula. Quando freqüentei a escola pela primeira vez fui dormir ansiosa na noite anterior porque estava muito nervosa na expectativa do meu primeiro dia de aula. Quando amanheceu o dia, eu me arrumei toda, tomei café e fui para o colégio naquela ansiedade! Lá chegando, senti um frio na barriga igual ao que eu sentia no dia de ir ao dentista, mas fui assim mesmo. Entrei na turma e cumprimentei a todos com um “bom-dia”, mas quando sentei na carteira e vi que todos me olhavam comecei a chorar e a professora, comovida, me mandou voltar para casa. Quando cheguei em casa minha mãe me reclamou e eu falei do meu medo em relação aos outros alunos que eram danados demais, uns pestinhas, mas não houve jeito de fugir da escola. No dia seguinte tive que voltar e enfrentá-los novamente. Os meninos me chatearam por eu ter chorado no dia anterior e eu chorei novamente, mas desta vez a professora os reclamou e não me mandou de volta para casa. Essa história se repetiu por dias seguidos, os colegas caçoando de mim e eu chorando sem saber me defender e sem ter quem o fizesse, sempre ficava agarrada ao pé da professora porque quando eu estava ao lado dela ninguém me provocava, eu sentia muita segurança ao lado dela.
Sempre fui uma garota muito interessada nos estudos e aprendi a ler e escrever na 1ª série. Tive uma boa professora e por isso, fui bem alfabetizada. Era muito responsável e organizada e a minha freqüência escolar era maravilhosa. Nunca fui reprovada e minhas notas sempre foram boas. Assim, aos poucos a professora foi confiando em mim e me tornou a sua monitora.
Ao terminar o ano de 1995 ela me perguntou se eu gostaria e se poderia ajudá-la com a turma de alfabetização e eu alegremente concordei. Após fazer um teste das disciplinas de Português e Matemática na Secretaria de Educação, comecei a trabalhar, apesar de minha timidez e insegurança.
 Adorei o meu trabalho e passei dois anos trabalhando com turmas de alfabetização e em seguida assumi o lugar da minha querida professora que precisou se aposentar. Quero ressaltar que eu e meus colegas professores da zona rural assumíamos as salas de aula sem um período preparatório. Foi assim que começou a minha prática pedagógica.
Acho que como professora, diante das circunstâncias, fui o melhor que pude ser. Estava até bem confiante que fazia tudo certo até o momento em que comecei a estudar no PROFORMAÇÃO e comecei a ver as coisas através de outro ângulo. Descobri coisas novas, ampliei meus conhecimentos e tive noções de prática de ensino e atividades até então despercebidas.
 Aprendi a avaliar – coisa que eu não sabia – mas só depois que comecei a estudar foi que tive consciência desta situação e de outras mais. Uma coisa muito marcante foi a elaboração do projeto de trabalho no decorrer do curso.
Desenvolvi o meu projeto com a finalidade de ampliar nossos conhecimentos sobre o Carnaval e de esclarecer nossos alunos sobre as vantagens e as desvantagens trazidas pelos blocos alternativos e foliões para a nossa cidade de Floriano.
Foi importante saber que a passagem rápida dos turistas pela nossa cidade deixa para nosso povo algumas influências na maneira de falar como as gírias, e principalmente na maneira de agir dos jovens porque se adaptam a novos costumes com grande facilidade.
Através das entrevistas e pesquisas realizadas, observamos um fato muito importante que foi o seguinte: apesar das campanhas educativas do governo sobre o uso de drogas e dos preservativos, a nossa população ainda não se conscientizou totalmente dos riscos que corre e continua cada vez mais fazendo uso indiscriminado de variadas drogas, de lança-perfume e principalmente, da prática do sexo sem camisinha. Descobrimos que o número de jovens adolescentes grávidas e o número de abortos crescem cada vez mais neste período e concluímos que esta festa popular tem seu lado positivo porque traz divisas, desenvolvimento econômico e diversão, mas, também tem um lado negativo que precisa ser cuidado, que é o aumento de prostituição, de drogados, de abortos e gravidez precoce, de AIDS e outras doenças. Portanto, é necessário que se invista muito nas campanhas educativas.
Foi importante fazermos este trabalho porque através dele sentimos a necessidade e a responsabilidade de conscientizarmos nossos jovens sobre esses perigos que os cercam.
Escrevi este depoimento com a intenção de mostrar a todos que na minha vida profissional (e também na pessoal) ocorreu uma grande transformação depois que passei estudar... O que antes me passava despercebido agora já não passa mais porque sou muito mais observadora e mais consciente de meus deveres de cidadã.
Agora sinto entre outras coisas, que a escola deve formar cidadãos conscientes e críticos. Que a escola deve ser transformadora. Percebo a importância de trabalhar em grupo e de valorizar o outro.
Eu reconheço que aprendi muitas coisas, mas vejo claro que tenho que estudar muito para aprender tudo o que ainda não sei.

Fracyere
(Canto da Várzea, dezembro de 2001)

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