domingo, 21 de agosto de 2011

Memorial AVS


Neste último memorial resolvi fazer uma reflexão de minha experiência como estudante e como professora.
            Para início quero falar do meu primeiro dia de aula, ou seja, das minhas primeiras letrinhas.
            Naquele dia eu estava apreensiva, ansiosa, agitada, mas lembro-me de que minha mãe falou-me: _ “Andrelina, hoje você vai começar a estudar...” O resto da frase não consigo lembrar porque de tanta emoção não conseguia escutar o que ela falava, não consegui guardar direito as recomendações que ela me fazia.
            Comecei a freqüentar a escola aos seis anos de idade na Escola Municipal Dr. Tibério Barbosa Nunes, na localidade Vereda Grande - Amolar e o meu professor foi o meu querido padrinho, o senhor Agripino Alves da Silva.
Cursei as três primeiras séries com ele e resolvi vir para a cidade, onde cursei a 4ª série primária, no Colégio Odorico Castelo Branco  com a professora Maria de Jesus.
Guardo grandes recordações de meus primeiros estudos porque tinha muito carinho e muita admiração pelos meus professores das primeiras séries.
            Após terminar a Curso Primário, passei a estudar na Escola Normal, e nessa escola, tive professores que marcaram muito a minha vida por terem características especiais, como por exemplo:  o professor de Matemática que era muito positivo, a professora de Ciências, era muito paciente. Outro professor que me marcou, foi o professor de Comunicação e Expressão, que era considerado o “charme da noite e nunca se irritava”.
Porém o que me marcou mesmo de forma profunda foi o fato de ter sido reprovada na 5ª série. Acho que fui prejudicada por causa das greves dos professores. Fiquei desanimada, senti-me excluída e resolvi voltar para o interior. Fiquei um ano sem estudar, mas no ano seguinte reforcei a minha coragem e voltei para a cidade.
Fiz minha matrícula no Colégio Pedro Simplício e tive como professora de Estudos Sociais (Elineuza Ramos) que na época, já tinha o sonho de montar uma Academia de Dança, e o sonho dela realizou-se. Isto nos mostra como é importante sermos perseverantes.
            Quero registrar aqui um fato interessante. O professor com o qual estudei as três primeiras séries foi o mesmo que me conduziu com grande satisfação à sala de aula para ser sua assistente, depois de ter sido sua aluna. Após trabalhar ao lado dele durante um certo tempo, assumi a sala de aula sozinha. Hoje somos colegas. Nos admiramos e nos respeitamos mutuamente.
            Logo no início quando eu comecei a lecionar, não tinha experiência alguma e desconhecia plano de aula, planejamento e avaliação, eu só conhecia de um tipo: a avaliação quantitativa. Também não dominava todos os assuntos que deveria ministrar e às vezes ficava em dúvida sem saber como saná-las... Sem saber a quem recorrer, ficavam todas as dúvidas e as incertezas.
            Depois que ingressei no Curso PROFORMAÇÃO, tudo na minha vida mudou. Vejo a vida agora por outro prisma.
            As minhas aulas mudaram porque agora tenho uma didática diferente. Sei como planejar uma aula e também, como diversificar as minhas atividades, aprendi a avaliar com conhecimento e com mais segurança, aprendi a ouvir as opiniões de meus alunos, aprendi corrigi-los discretamente quando cometem algum erro. Enfim, agora me sinto confiante na sala de aula. Acho que já amadureci bastante, ampliei meus conhecimentos, mas ainda tenho muito para aprender.
            O projeto de trabalho entrou na minha vida como um raio. Foi uma das coisas  que eu mais temi fazer neste curso. Foram dias de incerteza, de ansiedade, mas quando dei início ao seu desenvolvimento a minha visão sobre o assunto foi mudando, os conhecimentos foram se ampliando e tudo foi melhorando.
Escolhi um tema interessante: A Raça Negra, pois como é do conhecimento de todos, a raça negra contribuiu em vários aspectos para o crescimento e desenvolvimento do País. 
O meu objetivo ao fazer este trabalho foi levar ao conhecimento da comunidade as várias contribuições da raça negra na culinária, nas expressões, na religião, nos costumes e na cultura de um modo geral para o desenvolvimento de nossa gente.
Depois de longa pesquisa e exaustivas entrevistas chegamos à conclusão de que o preconceito existe e permanecerá ainda existindo por longo tempo e que, quando há preconceito, há injustiça e a injustiça é uma barreira para o desenvolvimento de qualquer natureza. O negro ainda é discriminado e agredido, e na maioria dos casos, impunemente. Apesar da lei que existe para defesa dos direitos humanos, aqui em Floriano, já houve vários casos de pessoas que foram denunciadas por preconceito racial. Portanto, nós professores temos a missão de esclarecermos nossos alunos, conscientizá-los e mostrarmos para eles um mundo livre de preconceitos e de desigualdade.
O comentário que faço aqui sobre o assunto pesquisado no meu projeto, é só um exemplo do nosso envolvimento com os problemas sociais e culturais.
Evidentemente, este, não foi um trabalho fácil de ser realizado, porém, o resultado foi bastante satisfatório, pois aprendi muito com ele e meus alunos foram beneficiados.
Uma coisa que devo relatar é que este curso me fez crescer como profissional e também como pessoa, pois através dele aprendi lições de vida e até o meu comportamento pessoal mudou.

Um abraço
Andrelina
( Buritizinho, dezembro 2001)

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