sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Um ser muito especial

No Brasil as leis que garantem a acessibilidade existem no papel, mas falta aplicá-las na prática, além disso, a nossa sociedade é extremamente preconceituosa.
Em dezembro de 1999, foi oficializado o termo Deficiência pelo decreto 3.298 de 20/12/1999 regulamenta a lei 7.853 de 24/10/1989, e dispõe a respeito da Política Nacional para a Integração de Pessoa Portadora de Deficiência. Mas apesar de todos os avanços adquiridos pela legislação, há inúmeras barreiras a serem vencidas.
A inclusão vem acontecendo lentamente principalmente no que tange ao meio educacional, porque não é apenas com a criação de leis que se garante a acessibilidade, é necessário também que se invista na formação continuada dos profissionais em educação. É imprescindível que procuremos nos qualificar para oferecermos aos nossos educandos portadores de deficiência ou não, uma aprendizagem eficiente para que eles desenvolvam as competências e habilidades necessárias às suas vidas.
Um exemplo marcante  que se repete no desrespeito às leis é, é quando os pais que vão matricular os filhos com algum tipo de deficiência e os diretores efetuam as matriculas deles, mas os professores dizem: _ “ele vai ficar aí na sala, mas eu não sei trabalhar com ele, não fui capacitada...” É esse tipo de atitude mostra que é necessário investir-se mais na qualificação humana.
Isso mostra a desinformação dos educadores. Seria necessário que eles conhecessem mais as leis e a Declaração de Salamanca (1994) “que garante o direito de qualquer pessoa com deficiência, expressar seus desejos em relação à educação, tanto quanto estes possam ser realizados”.
Trabalho na sala de recursos com um aluno da 6ª que é deficiente visual e, ele me perguntou se poderia levar o gravador para ouvir a minha explicação porque tinha muita dificuldade em entender Arte e Matemática, eu estranhei a sua pergunta, mas fiquei sabendo que uma das professoras da sala normal não permitia o uso de gravador. Este é um dos casos típicos de desconhecimento dos direitos do aluno.
Mas esse menino é exemplo de superação. E a sua determinação e o seu entusiasmo me encorajam a continuar acreditando que todo mundo é capaz de aprender, basta ter uma oportunidade e ajuda. Até gostaria que meus alunos “normais enxergassem tanto quanto ele.” Esse aluno utiliza o computador com os recursos que ele oferece como Dosvox e, assim ele está aprendendo o Espanhol entre outras coisas. Também já sabe Braille e chegou à segunda fase das olimpíadas de Matemática.
Mas além da resistência sociedade em incluir, há infelizmente, os casos de preconceitos da própria família, há ainda pessoas que escondem em casa os filhos com deficiência.
Temos um garoto portador de Síndrome de Down e com retardo moderado na mesma escola, que a própria mãe o escondeu durante mais de 8 anos. Felizmente a mãe se conscientizou e o colocou para estudar e, já podemos notar alguns pequenos avanços em seu desenvolvimento, mas ele poderia está bem melhor se não tivesse sido escondido por tanto tempo.
O grande desafio é oferecermos realmente uma educação inclusiva, direito de todos, isso acontecerá com a união de todos trabalhando em busca do mesmo objetivo: Estado, família, sociedade, gestores, educadores e toda comunidade escolar.
 Maria Umbelina Marçal Gadelha

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