segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

PLANO DE AÇÃO PEDAGÓGICA - PAP

CURSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

Maria Umbelina Marçal Gadelha


Público alvo: alunos de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental
Período: Julho a Outubro / 2010

1 INTRODUÇÃO 

A educação é um direito de todos e os indivíduos com deficiências devem estar incluídos nas escolas comuns, as quais devem modificar seu funcionamento para conter todos os alunos. A política de inclusão dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino, consiste no propósito de mudar concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, e exige que a escola crie espaços inclusivos, pois não é o aluno que se molda ou se adapta à escola é esta quem deve mudar para recebê-lo.
 As pessoas com surdez enfrentam inúmeras barreiras para estudar, decorrentes da perda da audição e da forma como se estruturam as propostas educacionais das escolas. Muitos alunos surdos podem ser prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu potencial cognitivo, sócio-afetivo, lingüístico e político-cultural e ter grandes perdas no desenvolvimento da aprendizagem, pois as práticas pedagógicas constituem o maior problema na escolarização dessas pessoas, por isso é necessário fazer uma reflexão, acerca desse tema, visando a inclusão escolar dessas pessoas (MEC/ SEESP, 2005).
Várias correntes filosóficas distintas marcam a história do surdo que deve ser compreendida de forma que a contribua para a construção de uma proposta bilíngüe. Essa contribuição pode chegar a uma concordância acerca da seriedade de uma proposta educacional que permita às crianças surdas a aquisição das duas línguas: a língua brasileira de sinais (LIBRAS) e a língua portuguesa, em suas modalidades oral e escrita. Pois a maior dificuldade na educação do surdo tem sido o domínio da Língua Portuguesa, sua segunda língua, apresentando também dificuldade de conceituação por possuir ausência de código lingüístico e pobreza de sinais acústicos que são normalmente usados no contexto social dos ouvintes.
A educação inclusiva é um direito do ser humano, mas para uma escola ser Inclusiva significa primeiramente, acreditar no princípio de que todas as crianças podem aprender e o gestor deverá proporcionar a todas as crianças acesso igualitário a um currículo básico, rico e uma instrução de qualidade. Portanto, pretende-se, através deste plano, trabalhar com os ambientes reais e virtuais e softwares educativos, fazendo com que os alunos se desenvolvam com criatividade, explorando todos os recursos disponíveis de modo prazeroso, incentivando a leitura e escrita e adequando os conteúdos à sua realidade. Entretanto, todo o trabalho será mediado pelo professor que apresentará condições de aprendizagem para que os alunos possam construir seu conhecimento. Assim este plano de ação pedagógica é um intento do que a comunidade escolar pretende alcançar através do processo ensino-aprendizagem visando o desenvolvimento e a inclusão dos alunos com surdez, os que apresentam deficiência auditiva, através de um conjunto de estratégias desenvolvidas para possibilitá-los atingir o desenvolvimento do seu potencial, estimular a criatividade, o convívio em sociedade e o exercício da cidadania.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

O trabalho pedagógico com alunos surdos na escola comum deve ser desenvolvido em ambiente bilíngüe, ou seja, em espaço em que se utilize a Língua de Sinais e a Língua Portuguesa. Para isso haverá um período adicional de horas diárias de estudo indicadas para a execução do Atendimento Educacional Especializado. Pois se sabe que a maior dificuldade na educação do surdo tem sido a aquisição da língua Portuguesa, sua segunda língua, apresentando também dificuldade de conceituação por possuir ausência de código lingüístico e pobreza de sinais acústicos que são normalmente usados no contexto social dos ouvintes (MEC/SEESP, 2007)
As tendências de educação escolar para pessoas com surdez centram-se ora na inserção desses alunos na escola comum e/ou em suas classes especiais, ora na escola especial de surdos. De acordo com o MEC (p. 19, 2007), existem três tendências: a oralista, a comunicação total e a abordagem por meio do bilingüismo. Assim sendo, devem ser feitas adaptações curriculares que constituam as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos e tenham como objetivo subsidiar a ação dos professores. Elas compõem um conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, critérios, procedimentos de avaliações, atividades, metodologias para atender as diferenças individuais dos alunos. Essas adequações visam o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, tendo como referência a elaboração do projeto pedagógico e a implementação de práticas inclusivas no sistema escolar tornando-o apropriado às peculiaridades dos alunos com necessidades especiais.
O que se pretende com este plano, é, portanto, trabalhar com os ambientes reais e virtuais e softwares educativos, fazendo com que os alunos desenvolvam sua criatividade, explorando os recursos disponíveis de maneira prazerosa, incentivando a leitura e escrita e adequando os conteúdos à sua realidade. Contudo, todo o trabalho será mediado pelo professor que estará propondo situações de aprendizagem para que os alunos possam construir seu conhecimento.
Para o aluno, o conhecimento necessário é aquele que o “ajudará a obter mais conhecimento” (Papert, 1994; p. 79 -125) e cabe à escola através dos vários meios de que pode dispor proporcionar-lhe este conhecimento. Assim a escola deverá preparar cidadãos para uma sociedade familiarizada com as TICs, visto que estes não podem ficar à margem da evolução tecnológica, além disso, o uso de recursos de alta tecnologia na educação, particularmente com computadores em rede, dinamiza o processo de ensino-aprendizagem, qualificando a construção do conhecimento pelo educando. Donde se apresenta a proposta de adaptações curriculares e de acesso ao currículo, com o objetivo de auxiliar na construção do conhecimento do aluno, oferecendo-lhe condições de manipular o computador como suporte para suas descobertas e construção do conhecimento.
Em relação à sala de informática propõe-se: alertar os alunos que a conservação dos equipamentos e o seu perfeito estado e funcionamento, dependem dos cuidados de higiene, delicadeza e a restrição a arquivos e programas que não devem ser visitados sem a orientação do professor coordenador; incentivar os professores no uso da sala informatizada mostrando ao aluno a importância da pesquisa e dando continuidade ao trabalho desenvolvido em sala de aula; observar o comportamento dos alunos durante as aulas quanto ao interesse, assimilação dos conteúdos, interação com a equipe, desempenho e evolução na produção dos trabalhos e pesquisas, intervindo sempre que o aluno demonstrar dificuldades ou desinteresse; orientar professores e alunos quanto ao uso de softwares adequados à série e trabalho que se pretende desenvolver; participar das reuniões com a equipe técnica referentes a assuntos pedagógicos e planejamento de trabalhos, contribuindo para um melhor relacionamento entre alunos e professores e o aperfeiçoamento das práticas pedagógicas que buscam o desenvolvimento integral do educando.
Quando um plano propõe a introdução de conceitos que modificam hábitos e atitudes, não basta apenas a informação para que os resultados sejam eficazes. Além disso, todos os envolvidos devem compreender o meio em que vivem, tendo consciência da necessidade de mudança de comportamento e apoio ao desenvolvimento do plano de ação para assim chegarmos aos objetivos propostos. Algumas características curriculares facilitam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, dentre as quais: trabalhar os alunos igualmente para que atinjam o mesmo grau de abstração ou de conhecimento dos demais colegas, embora não o façam com a mesma intensidade nem necessariamente de igual modo ou com a mesma ação e grau de abstração.
As adaptações curriculares não devem ser entendidas como exclusivamente individual ou uma decisão que envolve apenas o professor e o aluno, pois se realizam: no âmbito do projeto pedagógico (currículo escolar); no currículo desenvolvido na sala de aula e individualmente. Para que os alunos com deficiência visual e outras necessidades educacionais especiais possam participar integralmente em um ambiente rico de oportunidades educacionais com resultados favoráveis, alguns aspectos precisam ser considerados, como por exemplo: a preparação e comprometimento da equipe educacional e dos professores; o apoio adequado e recursos especializados, quando forem necessários.

3 METODOLOGIA

Os educadores devem desenvolver a dimensão da flexibilidade para responderem aos desafios de apoiarem os alunos com dificuldades para aprender na participação das atividades da escola, com o compromisso de fazer o ensino inclusivo acontecer com espontaneidade e a coragem de assumirem os riscos, trabalhando em equipes, desenvolvendo novas habilidades e promovendo uma educação de qualidade a todos os alunos. O professor será responsável pela sala de informática, orientando os demais professores em suas iniciativas e dúvidas na criação e desenvolvimento de projetos educativos utilizando a informática como meio de atingir os objetivos de sala de aula, oferecendo ao aluno um meio atrativo de construção de conhecimento, assimilação e fixação dos conteúdos transmitidos.
Serão examinadas e adotadas várias abordagens de ensino, para trabalhar com alunos com diferentes níveis de desempenho, reavaliando as práticas e determinando as melhores maneiras possíveis de promover a aprendizagem ativa para os resultados educacionais desejáveis, como a utilização da sala de informática para o enriquecimento das aulas e aprendizagem dos alunos de forma prazerosa. A metodologia a ser utilizada na sala informatizada terá os seguintes princípios: desenvolvimento da criatividade; a interdisciplinaridade; a cooperação, a interatividade e a autonomia.
Para a avaliação do aluno deverá ser feita a seleção de técnicas e instrumentos de modo a considerar, na consecução, a capacidade do aluno em relação ao proposto para os demais colegas sem abandonar os objetivos definidos para o grupo, mas acrescentando objetivos complementares curriculares específicos que minimizam as dificuldades concernentes à deficiência do aluno.

4. AÇÕES BÁSICAS

• Propiciar o apoio físico, visual, verbal e gestual ao aluno impedido, temporária ou permanentemente, de modo a facilitar as atividades escolares e o processo avaliativo. O apoio pode deverá ser oferecido pelo professor da sala regular, pelo professor de sala de recursos ou pelos próprios colegas;
• Desenvolver em conjunto com todos os alunos a escrita com a ajuda de softwers como signwriting para que haja participação e significação real no desenvolvimento das atividades;
• Formar um grupo de pessoas constituído por alunos, diretores, pais, professores, psicólogos, terapeutas e supervisores para resolverem problemas, trocarem idéias, métodos, técnicas e atividades, com a finalidade de ajudar não somente aos alunos, mas aos professores para que possam ser bem sucedidos em seus papéis;
• Oferecer oportunidades para os professores aperfeiçoarem suas habilidades, observando, conversando e aperfeiçoando as suas práticas com colegas mais experientes no apoio aos alunos com surdez na sala regular;
• Disponibilizar uma biblioteca acessível com materiais atualizados, recursos em vídeo e áudio que enfoquem a reforma da escola e as práticas educativas inclusivas;
• Criar oportunidades para educadores que apóiam os alunos a reunirem-se para tratarem de questões comuns e assim ajudarem-se mutuamente no desenvolvimento criativo de novas formas de aprendizagens;
• Garantir que todas as atividades da sala de aula tenham acomodações e a participação de todos ativamente, principalmente dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais;
• Infundir valores de respeito, solidariedade, cooperação entre os alunos;
• Estabelecer rotinas na sala de aula e na escola em que todos recebam apoio necessário para participarem de forma igual e plena;
• Desenvolver o plano junto com os alunos para que haja participação e significação real no desenvolvimento das atividades;
• Remover práticas cooperativas na sala de aula e na escola afim de que todos os alunos participem igualmente sem competição;
• Realizar um trabalho pedagógico interdisciplinar.

4.1 Estratégias para desenvolver a linguagem

• Atividade no espelho, desenhando a si mesmo, explorando fatos, diálogo em LIBRAS e por escrito sobre a sua identidade;
• Passeios e visitas em lugares variados para colher informações que deverão ser registradas;
• Dramatizar: cenas familiares, imitar animais, onomatopéias, profissões, temas cotidianos e temas da literatura infantil;
• Cantar em língua de sinais, explorando o significado da letra da música, envolvendo a expressão facial e corporal dos alunos;
• Dançar explorando o ritmo e o significado das canções representadas;
• Explorar revistas, jornais e livros utilizando a LIBRAS e muita expressão visual e corporal;
• Exibição de filmes e slides, explorando o seu conteúdo em LIBRAS, com apoio de dramatização, com muita expressão facial e corporal;
• Adaptação da linguagem dos clássicos da literatura infantil para os alunos;
• Conversar em língua de sinais sobre temas variados de interesse de cada aluno, utilizando dramatização;
• Confeccionar com a turma uma gramática, à medida que se trabalhar o conteúdo;
• Construir um livro em equipe para demonstrar a importância dos livros como fonte de conhecimento e do habito da leitura para saber escrever;
• Criar painéis explorando a língua de sinais;
• Criar histórias em quadrinhos na sala e no Laboratório de Informática;
• Criar maquetes, jogos, redações, pesquisas, entrevistas e trabalhos manuais.

4.2  Resultados esperados:

Espera-se que:
• A escola parta da premissa de que cada aluno tem o direito a freqüentar à sala de aula independente de sua deficiência e comprometa-se em desenvolver uma comunidade preocupada em fomentar o respeito mútuo e o apoio a equipe escolar, aos pai e aos alunos;
• A diretoria crie um ambiente de apoio ao trabalho do corpo docente e que os professores, funcionários e colegas utilizem a LIBRAS e a língua portuguesa para se comunicar com a crianças com surdez em todas as situações vividas na escola;
• O aluno com surdez seja estimulado a participar plenamente de todas as atividades escolares, inclusive das atividades extracurriculares;
• O professor estimule a criança com surdez a dar respostas utilizando os sinais ou emitindo sons, palavras ou frases;
• Acolha-se os pais como parte plena da comunidade escolar, aceitando as sugestões e a sua participação;
• Seja proporcionado aos alunos com necessidades educacionais especiais um currículo escolar pleno e flexível sujeito a mudanças conforme a necessidade;
• Sejam priorizadas as unidades de conteúdos que garantam funcionalidade e que sejam essenciais e instrumentais para as aprendizagens posteriores, como por exemplo, habilidades de leitura e escrita, cálculos e outros;
• Sejam trabalhados conteúdos que requeiram processos gradativos de maior complexidade de tarefas, atendendo à seqüência de passos e a ordenação da aprendizagem.

5 REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. O processo de integração escolar dos alunos portadores de necessidades educativas especiais no sistema educacional brasileiro. Séries diretrizes nº 11. Brasília: Secretaria de Educação Especial (SEESP), 1995.
CASARIN, Melânia Melo. Atendimento educacional especializado para surdos. Mod. VII. UFSC.
HONORA, Márcia. Livro ilustrado de Língua Brasileira de Sinais: desvendando a comunicação usada pelas pessoas com surdez. São Paulo: Ciranda Cultural, 2009
PAPERT, S. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
BRASIL.  Idê Borges Santos e  Francisca Furtado do Monte (Coord. geral). Saberes e práticas da inclusão: dificuldades de comunicação: surdez. Brasília: MEC/SEESP, 2005.
SILVA, Alessandra da. Deficiência auditiva. São Paulo: MEC/SEESP, 2007

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